Queda temporária nas dívidas: o que os números de dezembro revelam sobre a saúde financeira dos brasileiros
Uma boa notícia pairou sobre o bolso do consumidor brasileiro ao final de 2025: tanto o endividamento quanto a inadimplência apresentaram quedas entre novembro e dezembro. Essa melhora, ainda que pontual, pode trazer um respiro para muitas famílias que enfrentam dificuldades financeiras.
A pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) traz dados que mostram essa tendência. A proporção de famílias brasileiras que relatam ter alguma forma de dívida diminuiu em dezembro, um reflexo positivo do período de festas de fim de ano, muitas vezes associado a um maior controle financeiro ou a recebimento de rendas extras.
No entanto, é crucial analisar o quadro completo. Apesar da melhora mensal, os indicadores de endividamento e inadimplência em dezembro de 2024 ainda se mostraram superiores aos registrados no mesmo período do ano anterior, acendendo um sinal de alerta para o cenário econômico que se desenha para 2025.
Endividamento diminui, mas supera o ano anterior
A proporção de famílias brasileiras com dívidas em aberto registrou uma leve queda, passando de 79,2% em novembro para 78,9% em dezembro. Este é um dado animador no curto prazo, indicando que uma pequena parcela de consumidores conseguiu reduzir seu comprometimento financeiro.
Contudo, a análise comparativa com o final de 2024 revela um cenário mais desafiador. Em dezembro de 2024, o percentual de famílias endividadas era de 76,7%. A diferença, embora pareça pequena, representa milhares de lares em situação de maior vulnerabilidade financeira ao comparar os períodos.
Inadimplência também recua, mas com ressalvas
Da mesma forma, a inadimplência, que representa a dificuldade em honrar os compromissos financeiros, também apresentou um recuo mensal. A fatia de famílias inadimplentes desceu de 30,0% em novembro para 29,4% em dezembro. Essa redução é um indicativo positivo, pois menos pessoas estão com contas em atraso.
Entretanto, ao olharmos para o fechamento de 2024, a situação se inverte. Em dezembro de 2024, o índice de inadimplentes era de 29,3%. Portanto, mesmo com a queda mensal, o número de famílias com dívidas atrasadas em dezembro de 2024 é ligeiramente superior ao do ano anterior, conforme aponta a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Perspectivas para 2026: um cenário de cautela
Os dados divulgados pela CNC, que monitora o endividamento e a inadimplência, sugerem que, embora o final de 2025 tenha trazido um alívio momentâneo, o ano de 2026 pode apresentar desafios significativos para a economia familiar.
A persistência de um patamar de endividamento e inadimplência acima do ano anterior exige atenção. Fatores como a inflação, as taxas de juros e o poder de compra da população continuarão a ser determinantes para a trajetória desses indicadores ao longo do próximo ano.
É fundamental que consumidores e o governo estejam atentos a essas tendências. Medidas de educação financeira e políticas de apoio ao crédito consciente podem ser cruciais para ajudar as famílias a navegarem por um cenário econômico potencialmente mais instável e a evitarem um aumento futuro no endividamento e inadimplência.




