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SE OS VENTOS VOLTAREM A SOPRAR

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Luciana Boucault
Luciana Boucault
Formada em Administração, com MBA em Marketing pela ESPM SP e Especialista em Storytelling. Atuou nos últimos 25 anos em multinacionais farmacêuticas como PFIZER, ELI LILLY, e Lundbeck, sob sua responsabilidade a gestão de mercados de medicamentos de saúde mental: Esquizofrenia, Transtorno Bipolar, Depressão, Pânico e Ansiedade e fobias.
Como vínculos não resolvidos podem impedir novos encontros.

Algumas histórias começam com tudo para dar certo, mas nem sempre  acontecem no tempo e velocidade que gostaríamos,  ou que estariam destinadas a acontecerem.
Não por falta de sentimento, nem por incompatibilidade.
Simplesmente porque há algo invisível bloqueando o caminho.
Esse é o caso de muitas relações que surgem em momentos de transição: separações recentes, mudanças de vida, recomeços ainda em construção.
E quando se trata de reencontros, o coração pede pressa, mas em alguns casos a vida exige espera.
Presenciamos muitas histórias, onde pessoas se separam de antigas relações mas não  formalizam esse fim. Onde o divórcio fica para depois. Esses movimentos podem convidar ao fracasso qualquer envolvimento em futuro. Mesmo nos casos em que se considerem livres por não estarem vivendo mais como um casal. Esses laços emocionais invisíveis que um dia os uniu, permanecem em todo o sistema familiar,  com todas as pessoas que os envolvem. Nós apenas vemos o que está visível,  a ponta do iceberg. Mas o que está por baixo destas camadas é o que realmente dita o futuro de tantas pessoas e tantos corações partidos no meio desta jornada.
Quantas vezes alguém nesta situação conhece uma pessoa  especial, se conecta, se envolve emocionalmente, mas não consegue estar presente? Se percebe envolvido em várias questões, como um novelo, que nunca se encontra a ponta, ou quando se encontra, é geralmente pagando altos preços.
Esse tipo de situação é comum, e pode ser compreendido à luz das Constelações Sistêmicas Familiares, uma abordagem terapêutica desenvolvida por Bert Hellinger que observa como os vínculos familiares influenciam nossas escolhas e relacionamentos.
Segundo essa visão, todo vínculo afetivo cria uma energia de pertencimento.
Mesmo que duas pessoas estejam separadas há anos, se o divórcio não foi formalizado, o sistema entende que a relação ainda existe.
Isso pode gerar confusão emocional, culpa inconsciente, ou até dificuldade de se envolver com alguém novo.
Além disso, há o risco de lealdades invisíveis. Quando a pessoa em seu inconsciente pode sentir que, ao seguir em frente, está traindo o que viveu.  E acaba atraindo mais e mais questões que impeçam esse fim formalizado, como problemas econômicos,  doenças na família, dificuldades em várias esferas, apenas para justificar um movimento incapaz de ser feito na racionalidade.
Ou por outro lado, pode estar repetindo padrões familiares como manter vínculos sem presença, ou evitar encerramentos claros, algo repetido por seus pais, avós ou toda sua linhagem.
Para que uma nova relação possa florescer, é necessário que a anterior seja honrada e encerrada completamente.
Não negada, não esquecida mas reconhecida como parte da história.
Só assim o sistema permite que o novo tenha o  espaço que ele merce para florescer junto.
A frase que intitula este texto, “Se os ventos voltarem a soprar em nossa direção”, mostra maturidade e respeito.  Ela não força, não cobra, não se anula. Apenas reconhece que há sentimentos, mas também há limites. E talvez, se um dia os ventos mudarem, o reencontro seja possível.
Mas até lá, é preciso que cada um olhe para sua própria história com coragem para que o amor não seja apenas uma promessa, mas uma realidade possível em toda sua completude. É preciso atitude, consciência,  verdade e muita coragem para colocar pontos finais verdadeiros.
Somente assim, existirá uma possibilidade dos ventos voltarem a soprar nesta direção e a beleza realmente acontecer.
Afinal somos pequenos demais frente ao conhecimento sistêmico e grandes demais frente aos espaços que  não nos cabem.
Desejo que todos tenhamos a coragem necessária para seguirmos em frente, honrando nossas histórias,  e livres do que nos prende emocionalmente com culpa, dando espaço para um futuro mais consciente e em paz.
Veja também:  Ele era momento. Ela, profundidade
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