Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a ansiedade em desequilíbrio é um dos principais transtornos psíquicos da vida contemporânea.
O Brasil lidera o ranking, sendo o país com maior número de pessoas ansiosas. Os desequilíbrios da ansiedade, e os transtornos que a seguem, atingem pessoas de diferentes idades e classes sociais, assim como, em ambos os sexos.
Contudo, ainda há muita desinformação relacionada ao tema, pois quando se fala que uma pessoa é ansiosa, logo o entendimento é de que isto é somente uma emoção negativa, como se fosse um monstro que habita dentro de cada ser humano.
No entanto, é necessário ampliar o entendimento, e colocar as coisas no seu devido lugar, e pela perspectiva real. Talvez este conceito tenha se fortalecido, devido a origem da palavra, a qual tem origem no latim “anxietas”, que significa angústia.
Ainda assim, a nível evolutivo, a ansiedade e todo o sistema biológico ligado a esta emoção, é um dos mecanismos de defesa e motivação, ou seja, a ansiedade não é acionada em nós apenas quando estamos em desequilíbrio, mas também, quando precisamos nos movimentar, realizar tarefas, resolver problemas e encontrar soluções.
Um dos principais hormônios que aumenta em nosso sistema, quando acionamos o mecanismo da ansiedade, é o cortisol, este faz com que aumente o fluxo sanguíneo em nosso corpo, batimento cardíaco acelera, pupila dilata para termos uma visão ampla do ambiente, enfim, pense neste sistema quando você está na academia treinando, ou andando de bicicleta.
Se é assim, onde está o problema? E quando este mecanismo natural do nosso corpo se torna o inimigo? Quando acionamos este sistema apenas em nossa imaginação. Quando ficamos presos na emoção primária do medo, e queremos controlar cada aspecto de uma situação. Quando, em nossos pensamentos, surgem muitos “E se…”, e, diante de um desafio, ficamos imaginando vários desfechos, os quais normalmente têm uma conclusão catastrófica.
E se eu não conseguir terminar o trabalho no prazo? Vou perder o emprego…
E se eu não conseguir passar no vestibular? Sou fracassado, incompetente…
E se eu não agradar a todos? Ninguém mais vai me convidar para sair…
São tantos argumentos, mas nem sempre reais, e que nem sempre irão se concretizar, e ao invés de agirmos, ficamos presos no medo, e todo o mecanismo da ansiedade é acionado, e com o tempo isso pode se tornar um transtorno, levando a ataques de pânico e a ansiedade generalizada. A pessoa fica o tempo todo em alerta, como se vivesse em um eterno estado de guerra.

E quando não buscamos ajuda para encontrar o equilíbrio, a ansiedade pode encontrar outras companhias indesejadas, como a depressão, ou o estresse crônico, com consequências cada vez mais negativas, impactando na qualidade de vida, e na perda de propósito, ou sentido na vida.
Mas, há sempre uma luz no fim do túnel, e quando você encontra esta luz, ainda percebe um outro objeto que a reflete, um espelho, sim um espelho! E constatamos que somente nós podemos alterar estas interpretações, e fazermos as pazes com a ansiedade, através da busca do autoconhecimento, autoamor e autocuidado, entendendo que nem sempre serão as situações ou pessoas, mas sim a interpretação que fazemos. E parafraseando Anais Nin (autora francesa): “Não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos”.
E então, será que a ansiedade é a vilã das nossas vidas, ou podemos usá-la a nosso favor?




