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Empresas da Família Toffoli Tiveram Sócio Ligado a Esquema do Banco Master Investigado no STF

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Mariana Costa
Mariana Costa
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Empresas ligadas a parentes de Dias Toffoli tiveram sócio em fundo conectado a suspeitas no caso Master

Duas empresas com participação acionária de familiares do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tiveram como sócio um fundo de investimentos com conexões a um esquema investigado no Banco Master. A descoberta, baseada em análise de documentos e dados oficiais, levanta questionamentos sobre a relação entre os negócios familiares e as operações financeiras sob apuração.

O fundo Arleen Fundo de Investimentos deteve, ao menos até maio de 2025, participações em empresas como a Tayayá Administração e Participações, ligada a um resort de propriedade da família Toffoli, e na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária onde um primo do ministro figurava como sócio. Essas conexões foram reveladas por meio de uma cadeia de fundos.

A ligação com o caso Master se estabelece por meio do fundo RWM Plus, que recebeu investimentos do Arleen e de fundos associados ao Maia 95, um dos seis apontados pelo Banco Central como parte da suposta rede de fraudes do Banco Master. O fundo Arleen em si não é alvo direto das investigações, mas sua administração e conexões são pontos de interesse. Conforme apurado pela Folha, o Arleen foi encerrado no fim do ano passado, com apenas um cotista.

Conexão com esquema do Banco Master e a administradora Reag

A conexão entre o fundo Arleen e as investigações do Banco Master se dá por meio de uma cadeia de fundos. O Arleen foi um dos cotistas do RWM Plus, que, por sua vez, também recebeu investimentos de fundos ligados ao Maia 95. Este último é um dos seis fundos identificados pelo Banco Central como integrantes da suposta teia de fraudes operada pelo Banco Master, sob a gerência de Daniel Vorcaro. O fundo Arleen, em si, não é objeto de investigação.

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Um ponto crucial dessa conexão é a administradora Reag. Tanto o fundo Arleen quanto os demais fundos investigados na suposta rede do Banco Master têm a Reag como administradora. A Reag também administrava fundos associados a Daniel Vorcaro e está sob investigação na operação Carbono Oculto, por suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Empresas da família Toffoli e o resort Tayayá

O resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR), teve em sua estrutura societária participações de diversos membros da família Toffoli ao longo dos anos. Inaugurado em 2008, o empreendimento de 58 mil metros quadrados, às margens do rio Itararé, recebeu em 2017 uma homenagem da Câmara de Vereadores local, que reconheceu a contribuição do ministro Dias Toffoli para o desenvolvimento turístico da região, especialmente no apoio à implantação do Tayayá Aquaparque Hotel e Resort.

Dados da Junta Comercial do Paraná de 2020 indicam que a empresa administradora do empreendimento era controlada por Mario Umberto Degani, primo do ministro, e pelo advogado Euclides Gava Junior. Em dezembro do mesmo ano, a Maridt Participações, empresa aberta quatro meses antes por José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro, tornou-se sócia, detendo um terço da empresa, assim como Degani e Gava. A entrada dos irmãos Toffoli no negócio foi noticiada pelo site O Antagonista.

Mudanças societárias e participação do fundo Arleen

A composição societária da Tayayá passou por alterações. Em abril de 2025, segundo dados da Receita Federal, os sócios remanescentes eram o primo Mario Umberto Degani e a PHB Holding, ligada ao empresário goiano Paulo Humberto Barbosa. Degani deixou a sociedade posteriormente, e atualmente a administradora da Tayayá é controlada por Barbosa e duas empresas a ele vinculadas. Paulo Humberto Barbosa e Euclides Gava Junior não comentaram o caso.

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O fundo Arleen, criado em junho de 2021, possuía ações da Tayayá entre seus ativos desde sua constituição. Em novembro de 2021, uma participação de R$ 20 milhões representava 99% da carteira do fundo. Em 31 de maio de 2025, o último balanço disponível, a participação do Arleen na Tayayá somava R$ 4,4 milhões. A empresa DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária e também ligada a um parente de Toffoli, também apareceu no balanço do fundo Arleen. Em maio de 2022, o fundo detinha R$ 16,1 milhões na DGEP, que tinha como sócio, além do Arleen, Mario Umberto Degani. Em maio de 2025, essa participação era de R$ 16,4 milhões.

Toffoli é relator de inquérito sobre o Banco Master

O ministro Dias Toffoli é o relator do inquérito que investiga as supostas fraudes do Banco Master. Ele assumiu a condução do caso no início de dezembro, após recursos apresentados pelos advogados de Daniel Vorcaro ao STF, argumentando que a investigação deveria ser centralizada na corte devido à citação de um negócio imobiliário envolvendo Vorcaro e o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA).

O ministro manteve o inquérito em sigilo e tomou decisões que geraram questionamentos no meio político e financeiro. Entre elas, a convocação de uma acareação entre os investigados e um diretor do Banco Central. Parte das perguntas preparadas por seu gabinete durante os depoimentos sugeria uma possível precipitação do BC na liquidação do Master, conforme argumentado pela defesa de Vorcaro.

A defesa de Daniel Vorcaro negou qualquer irregularidade ou envolvimento do Banco Master com fraudes, fundos ilícitos ou operações para beneficiar terceiros. Em nota, alegou que a reportagem estabelece “conexões inexistentes e distorce fatos ao sugerir vínculo entre o banco, seus executivos e investimentos mencionados”. A defesa também afirmou que o banco “nunca foi gestor, administrador ou cotista dos referidos fundos” e que segue colaborando com as autoridades.

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