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O Silêncio que Habita em Nós

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Manuela Mendez
Manuela Mendez
Sou pós-graduada em Psicanálise, Psicoterapia e Psicopedagogia, com cursos de aperfeiçoamento pela Escola Lacaniana do Rio de Janeiro. Atuo como terapeuta psicanalítica com escuta orientada pela teoria lacaniana. Sou colunista no Mundev, contribuindo com conteúdos voltados ao desenvolvimento humano e saúde mental. Acredito que palavras e ideias podem mudar o mundo.

 

“Não te incomoda a solidão?” — a pergunta, lançada no ar, costuma carregar o peso do incômodo, como se estar só fosse sinônimo de falta. Falta de companhia, de amor, de pertencimento. Mas será mesmo?

Na filosofia e na literatura, a solidão é um território fértil. É nela que o pensamento amadurece, que o olhar se volta para dentro e o sujeito, enfim, se escuta. Estar só pode ser desespero, mas também pode ser descoberta — tudo depende de como a pessoa é.

Muitos temem a solidão porque nela o ruído do mundo silencia, e o que resta é o som do próprio eco. É preciso coragem para suportar esse eco. A solidão, quando bem vivida, não é ausência — é presença. Presença de si, reencontro com o que foi calado em meio ao excesso de vozes.

A literatura sempre nos ensinou isso: personagens solitários são os que mais se aproximam do essencial humano. Pense em Clarice, em Kafka, em Pessoa — todos transformaram a solidão em morada, e dela fizeram arte.

Há quem se perca quando está só, e há quem se encontre. No fim, a solidão não é boa nem ruim. Ela apenas revela.

Veja também:  A desconexão silenciosa que corrói vínculos
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