Ao mesmo tempo que o termo “design” aparece cada vez mais no vocabulário contemporâneo — às vezes até demais — ainda falta clareza sobre o que de fato ele significa e quem são os designers.
É com essa pauta que quero iniciar a nossa conversa. Prazer, sou Bruno Correa, bacharel em Design de Produto pela UFRGS, e a partir desta semana estarei trazendo reflexões e discussões sobre design e, eventualmente, outros assuntos neste espaço.
Desde antes de iniciar meus estudos, sempre percebi um certo desconforto — se é que posso chamar assim — quando dizia para alguém que eu pretendia estudar design. Havia um silêncio, acompanhado de uma cara de quem não sabia exatamente o que era design, muito menos design de produto, e disfarçavam para não parecer desinformadas.
Não é de hoje que a palavra “design” aparece em contextos diversos, da manicure à tecnologia militar. Essa dúvida enrustida sobre o termo e seu uso indiscriminado revela um problema central do design no Brasil: o desconhecimento e a banalização da profissão. Afinal, o que faz um designer?
Para responder, vamos ao início: o que é design? Arte? Engenharia? Arquitetura? Estética?
A resposta curta é: não. Design não é nada disso, mas a intersecção entre todas essas áreas e outras mais, design é além de tudo uma profissão multidisciplinar.
Depois de anos explicando minha profissão, cheguei a um resumo simples: o designer é um projetista. No meu caso, projetista de produto.
Design não é só fazer coisas “bonitas” ou “modernas”. É solucionar problemas, atender demandas e, principalmente, projetar. Quase tudo ao nosso redor tem design — bom ou ruim. Da cadeira em que você está agora ao site em que lê este texto, tudo foi pensado para equilibrar função, estética, custo e viabilidade.
Em resumo: design é projeto. Se não envolve projeto, não é design. É justamente por isso que certos usos do termo em áreas alheias acabam confundindo e até esvaziando a profissão.
Esse projeto deve buscar atender as necessidades do público e do mercado em sua totalidade. “Buscar”, porque designers não fazem milagres — apenas projetos.
Nos próximos encontros, quero explorar as nuances entre bons e maus designs, discutindo não só execução, mas também a intenção ao projetar.
Até breve.





Baita texto! Também sou projetista de produto e é bem isso que vivemos no dia a dia: equilibrar estética, função e viabilidade. Curiosa pra ver os próximos textos e reflexões!