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O propósito que nos atravessa

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Manuela Mendez
Manuela Mendez
Sou pós-graduada em Psicanálise, Psicoterapia e Psicopedagogia, com cursos de aperfeiçoamento pela Escola Lacaniana do Rio de Janeiro. Atuo como terapeuta psicanalítica com escuta orientada pela teoria lacaniana. Sou colunista no Mundev, contribuindo com conteúdos voltados ao desenvolvimento humano e saúde mental. Acredito que palavras e ideias podem mudar o mundo.

“Eu sou um ignorante, mas li alguns livros. Tudo que existe nesse mundo tem um propósito.” – La Strada

Essa frase, tão simples e direta, toca algo profundo. Entre a ignorância assumida e a busca de sentido, encontramos um caminho comum a todos nós: a tentativa de compreender por que estamos aqui e o que dá significado às nossas experiências.

Na clínica psicanalítica, não se trata de oferecer respostas prontas sobre o propósito da vida, mas de acompanhar cada sujeito em sua jornada singular de descobertas. O propósito não é algo que se encontra em um manual, nem uma meta universal a ser alcançada. Ele se revela, muitas vezes, nos detalhes aparentemente banais: em uma memória de infância, em um sintoma que insiste em retornar, em um gesto repetido sem que saibamos bem o porquê.

A ignorância, longe de ser apenas falta, pode se tornar motor. É ela que nos impulsiona a perguntar, a investigar, a ler livros, a procurar um analista. Reconhecer-se “ignorante” é abrir espaço para o novo, é permitir-se não saber para, então, construir um saber próprio.

Se tudo tem um propósito, talvez ele não esteja dado de antemão, mas se escreva na trama da nossa história, à medida que ousamos escutá-la. E, nesse processo, cada encontro – consigo mesmo e com o outro – é oportunidade de descoberta.

Veja também:  A Coragem de Ser Incompreendido: A Lição de Charles Bukowski
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