“Eu sou um ignorante, mas li alguns livros. Tudo que existe nesse mundo tem um propósito.” – La Strada
Essa frase, tão simples e direta, toca algo profundo. Entre a ignorância assumida e a busca de sentido, encontramos um caminho comum a todos nós: a tentativa de compreender por que estamos aqui e o que dá significado às nossas experiências.
Na clínica psicanalítica, não se trata de oferecer respostas prontas sobre o propósito da vida, mas de acompanhar cada sujeito em sua jornada singular de descobertas. O propósito não é algo que se encontra em um manual, nem uma meta universal a ser alcançada. Ele se revela, muitas vezes, nos detalhes aparentemente banais: em uma memória de infância, em um sintoma que insiste em retornar, em um gesto repetido sem que saibamos bem o porquê.
A ignorância, longe de ser apenas falta, pode se tornar motor. É ela que nos impulsiona a perguntar, a investigar, a ler livros, a procurar um analista. Reconhecer-se “ignorante” é abrir espaço para o novo, é permitir-se não saber para, então, construir um saber próprio.
Se tudo tem um propósito, talvez ele não esteja dado de antemão, mas se escreva na trama da nossa história, à medida que ousamos escutá-la. E, nesse processo, cada encontro – consigo mesmo e com o outro – é oportunidade de descoberta.




