Como sempre, logo depois do café e antes que eu seja obrigado à alguma interação social, pois vivo sob alerta climático de misantropia, dou uma olhada nos jornais e já não me espanto com mais nada.
Da tantas “olhadas” já criei músculos no olhar para resistir ao “Oh! Como isso foi acontecer?”.
Evidentemente exige-se uma leitura crítica do caldo impregnado de ideologia e manipulação que ainda chamamos de imprensa.
Eles falam muito! Escrevem muito! Publicam muito!
Incrivelmente sobre nada! Mas sempre sobre o que lhes interessa propagar.
E aqui surgem, sobre Pindorama, duas criaturas mitológicas gregas; Cérbero, o cão que guarda as portas do Hades e Quimera, o monstro com corpo e cabeça de leão, cabra e serpente misturados.
E obviamente que por mais que isso seja feito de caso pensado, não é pensado para atingir os meus seletos oito leitores que nem precisam consultar referências para saber do que se tratam tais mitos.
É pensado para atingir quem não tem “leitura”, para chegar aos quase 9 milhões de analfabetos que detém o direito de voto mesmo não sabendo do que se trata isso tudo. É pensado e bem pensado para cercar e manter uma militância sem substância; a massa de manobra!
Assim sendo, vejamos.
É claro como água cristalina dos destinos paradisíacos, para onde vão os pequenos deuses de nossa política, que uma vez cooptados pela ideologia ora dominante no Palácio do Planalto, os militantes morrem. Sim, morrem! Morrem e passam pelo então agradável e receptivo Cérbero, que segundo consta transformava-se em um cachorrinho fofinho e agradável para as almas que ao Inferno chegavam.
E era isso. Só as almas, mesmo que mantendo a aparência do corpo que um dia tiveram, podiam passar pela criatura. Não à toa seu nome significa Devorador de Carne. Se algum aventureiro vivo ainda ali chegasse, virava o delivery do dia.
E por outro lado, se mesmo alma, tentasse sair, sua aparência real, com corpo fortíssimo, três cabeças e garras afiadas nas patas, logo barrava qualquer tentativa de fuga.
Sob narrativas de defesa da democracia, censura estatal para bem do povo, exercício da liberdade com o corpo e arte feita por idiotas para ser aplaudida por estúpidos, suas verdadeiras faces se mostravam nada fofinhas com quem intentasse sair… não, pera… estou misturando os “infernos”.
Hummm… isso não soa tão mitológico assim, não é mesmo?
Mas, com o nosso “mas de cada dia” tudo pode e se pode, piora.
Piora muito!
Junto ao raiar do sol, que ao que parece já não é para todos; vamos ter que esperar o que define o povo “supremo” para saber se é mesmo, surge a Quimera.
E indiscutivelmente, não tem representação melhor para nossa atual situação.
A que ponto chegamos, senhores!
Sou sim o total responsável por estas mal traçadas linhas, mas não pela sopa de escândalos que os jornais (com as pautas já higienizadas) publicam.
Para manter a linha de raciocínio, observem; Eclesiastes 12:12, que diz: “de mais disso, filho meu, atenta: não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne”.
Viram? Falam mesmo muito, publicam muito. Como eu escrevi no começo de nossa conversa quase sempre sobre nada.
Os muitos animais que se misturam no DNA corrupto de nossa política formam esta Quimera toda que distrai os incautos, os despreparados e os manipuláveis.
Se não bastasse o escândalo financeiro que tem uma ou duas cabeças da atual legenda no cargo majoritário, agora temos mais uma, de igual formato, vindo de uma igreja supostamente evangélica, que de boa notícia não tem nada.
Entendeu?
Não? Eu explico; etimologicamente “evangelho” significa “boas novas” e por extensão, evangélico quem traz as boas notícias.
Mas não em Pindorama, nunca em Pindorama.
De mais a mais, a campanha eleitoral segue firme no formato de quem é o menos pior; a esquerda com seu representante que nunca foi esquerdista ou a falsa direita com seu representante que apoia pautas assistencialistas?
Qual dos dois não será mordido pela cabeça dos “terceira opção”? Qual, em um possível segundo turno, cooptará uma cabeça a mais?
E, frente ao atual cenário, pelo quê deixamos que estes monstros dominassem nosso país?
Na mitologia os monstros foram derrotados por heróis. Heróis estes que aqui na vida real nós temos; nosso povo, trabalhador, honesto, inteligente, sobrevivente e extremamente capacitado para fazer crescer nossa Nação.
Temos nossa espada, o voto.
Só nos falta mesmo uma atitude; não deixar que tudo piore.




